quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Onde eu moro?

Meu pensamento envolve ações, envolve orientações e os caminhos a seguir.
Meu sentimento coordena, manifesta, fecha os olhos e intensifica o pulsar dos dias... Ele, portanto, completa lacunas desconhecidas e responde questões de muitas entrelinhas.

Tendo certeza dos dias e sabendo que caminho seguir, é possível chegar longe. E saí em busca de mim.
Mas meu desajuste é muito impaciente.

Onde eu moro, afinal?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Em breve...

Alguns pormenores a gente resgata, a gente rasga a mesma foto mil vezes.
A gente faz isso.
A gente toda.
É preciso lembrar, para não esquecer. Para enxergar a vida com mais clareza.

Mas é mesmo preciso esquecer. Só. Assim, com o esquecimento, ganhamos tempos e ânimos, então as lembranças são outras, são novas, umas mais floridas e outras mais coradas – ficam pormenores ajustados e retratos de sorrisos ilustrando o meu criado.

As gentes...

domingo, 27 de novembro de 2011

Falta pouco...

Ter espaço para novos saberes, um intervalo para medir sentidos, sensações, sentimentos. Esperar e ter esperança. Desapegar-se. Construir novos apegos.
Um estado de espírito, tamanha falta - tal é a ausência.
É bom senti-la, mas não é bom que esteja presente todo tempo, tampouco que seja permanente, no risco de condenar o certo, modificar o curso, estragar o coerente.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Onde há o apreço

Talvez não tivesse olhar nenhum, então.
Talvez fosse mesmo uma imagem criada – um desejo. Um desejo cheio de bons pormenores desajustados. E ela abriu os olhos. O frio parecia pior, a chuva chegara em pingos brilhantes, insistentemente molhavam sua alma de grandes dúvidas. Duvida da alegria, duvida da tristeza. Verdades e mentiras não tem personalidade única.

Por não conseguir lidar com o próprio, duvida do amor do outro. Duvida com todas as letras que parecem superficiais e insuficientes para trata-lo. E outras letras mais, que o tornam falso, imprudente.
Pura insegurança. Rebeldia de si.  De todas as que habitam dentro dela, que ora carregam um peso imenso, ora parecem flutuar em devaneios construídos com o apreço de um coração apaixonado.
Mas não são impressões esfumaçadas, são ideias recorrentes, ideias que aparecem como uma mansa superfície de um rio, mas um rio absolutamente fundo.

Tomou seu casaco, sua pasta. Seguiu em direção a compromissos inventados para ter uma desculpa por não querer pensar em mais nada. Queria apenas esquecer, mas tão amarga era a culpa.
Podia pedir desculpas, novamente. Pedir desculpas pelos pensamentos crueis e tão pontiagudos que a perseguiam quando, aflita, apenas dava espaço para a dúvida. Mas se não acreditava em alegrias ou tristezas, não podia acreditar na culpa, porque não sabia se era verdadeira ou mentirosa.
Queria apenas esquecer.


Where are we now?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sem ses


Ela talvez não pudesse esperar mais. Eram tantos compromissos guardados na pasta, também, logo choveria. Esperou mais aquele café. Talvez o mais incoerente café – e ela já nem existia, era somente promessa. Tanta. Tanta ansiedade.
Nem falava muito com seu pensamento. Era palavra muda, gole, e via já as folhas correndo do vento, bailarinas sem plateia, fingia logo uma leitura que não levava a lugar algum. Era mesmo ali, o parado tempo da espera e o frio que acentuava o arrepio na nuca por qualquer imagem da chegada, que era somente imagem. E fechava os olhos enquanto a fumacinha da xícara fazia esquecer a ponta gelada do nariz.
Pensou, então, e então abriu espaço para uma série de devaneios. Podia tudo ter sido tão diferente. E o pacote de ses, aqueles ses que prometera não usar, ou evitar, evitar muito, os ses malditos que apontam as possibilidades perdidas, as palavras não ditas, as falhas cometidas, os compromissos negados, os aprendizados adiados, os ses de um estilo, ou tendência, talvez os ses das escolhas que não foram escolhidas; ali encontrou... e ao abrir o pacote, todos aqueles ses de olhares tão vazios foram despejados em suas lágrimas antigas. Ai tamanha sorte elas estarem ali, no chão da memória – lágrimas servem para evidenciar aquilo que a lembrança burra não entende.
Era apenas pensamento, voltou-se a linha de raciocínio. É tão bom ter os pés no chão. Os caminhos não trilhados foram-se. E deu graças, em silêncio, esboçando um pequenino sorriso enquanto mais um gole do café quente chegava em seus lábios.
Era mesmo uma tarde muito fria aquela.
Até um casaco chegar em seus ombros, envolvendo-lhe todo amor que poderia ter para agradecer aos céus, aos anjos, as energias ou conspirações do universo – seja lá para quem seria o obrigada, voltou-se de imediato para aqueles olhos tão cativantes e com uma força serena. Aqueles olhos de macio sorriso. Aqueles olhos que tanto fazia questão de ter buscando e encontrando sempre algo de bonito dentro de si, tão evidente e tão segredo.

sábado, 2 de julho de 2011

Das urgências

Os dias parecem tão longos, e a dor é tão profunda.
Tudo é um grande ‘parece’ num infinito balde de aflições, antigas e novas. E as dores têm formas indefinidas, distintas. Não são maiores nem melhores, simplesmente são, permeiam nossos dias; são sentidas como incômodas, são egoístas. Viram poesia. Viram diálogos com o ninguém dos nossos pensamentos, viram planos de superação, viram insônia em busca de solução.
Poupamo-nos de tantas reflexões. Introspecções. Observações. Ou pensamos, endoidados – a cura de nossa dor maior, a cura da dor do outro.

Mas a conversa, ah, por que não a conversa? Enquanto ela existe o mundo gira, o vento assopra, as janelas são fechadas para que o frio não entre... os cobertores cobrem o colo para que a alma não sinta, e a dor fica ausente porque as sombras dos obstáculos se desvanece. Já discussões, essas são verdadeiros verões com resfriados e febres, provocam desconforto e atrasam as horas. O tempo para e torna estagnado o crescimento, não há a luz da equidade.

Tão estranhos os sentimentos, cada um com suas urgências, e cada urgência procurando os seus significados.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Acontecimentos...

De onde em onde se ouve o pio da coruja.

domingo, 22 de maio de 2011

Ser feliz


Procuro um time de futebol para 'torcer' e poder ser feliz aos domingos e quartas-feiras.
Procuro uma felicidade de pulos de alegria, de alma cheia de sorrisos, de vontade de chorar, de coração bater mais forte. Aquela felicidade tão estranha, tão distante, que desfalecida em nossos braços, insólita, tem a possibilidade de ganhar ânimos e preencher lacunas tão imensas e intensas. Quase uma lembrança do que nunca ocorreu, ou sensação do que nunca viveu.
Procuro tal contentamento, o indizível máximo de uma satisfação desconhecida no contexto normal das circunstâncias.

Compro a camisa, decoro o hino, arranjo uma bandeira e uma corneta, imitarei um tolo que desdenha a razão, mas traga-me uma alegria, sim?

domingo, 1 de maio de 2011

Ação ou resultado de sentir

Ficava procurando significados e maiores significações para os sentimentos (aquilo que nos faz acordar todos os dias, ou que fica nos pensamentos na hora de dormir), mas não se pode tratá-los dessa maneira.

O sentimento é dúvida, é como uma expectativa que não se concretiza, uma esperança que nunca se realiza. O sentimento, de sentar-se e senti-lo, talvez seja válvula de escape, ou então é o caminho para encontrar-se.
E ficar procurando defini-lo mostra-se um imenso tempo perdido.
E então, fica o coração cheio de algo inexplicável, tão repleto de interrogações espaçosas, que torna impossível enxergar a vida de outra maneira.
E as esperanças continuam... e não acontecem, bem como as expectativas frustradas; nada poderia ser feito senão vive-la, constante, e da maior certeza que existe para se viver: um sentimento, forte, que ganhou lá o nome que quiseram dar a ele.


A insanidade perfeita. A loucura sem comedimentos. O absoluto sem fundamentos.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sobre o imaginário e suas fragilidades

Transbordando esperança.
Ultrapassando sentimentos.
Espalhando observações.
Desesperança rala, seca... irritante.
Trabalhando com miúdos e intensos pormenores.
Inapropriada insegurança.
Interiorização.
Excesso de afastamento.
Internalização.


A linguagem necessita de ramificações para a criatividade, e essa criatividade, quando desconfigurada, tranforma-se em frustração, e uma pessoa frustrada tende a uma emotividade instável, instiga sua fragilidade em expressar-se, silencia-se, e não se torna criativa coisa alguma... aliás, torna-se um pouco... Cria monstros imaginários.

De todas as formas de discurso tentadas, todas culminaram em egocentrismo, que ganha lá suas definições a mais... E isso tudo é empírico.

terça-feira, 22 de março de 2011

Delicado vazio

Quero muito ir embora, mas eu já estou aqui.









[Devia ter um texto aqui, mas... não tem. Devo revoltar-me contra essa função terapêutica?]
[delicado vazio]

quarta-feira, 2 de março de 2011

Egoísmo

Ideias abstratas passando pela cabeça.
E textos-terapia na gaveta.






quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sobre um sentido

Curioso como o silêncio absoluto nos faz pensar mais.
Os sons do dia tomam nossa atenção, deixam as ideias equivocadas. Ora um pensamento, ora outro, e então um barulho horrível ou uma música breve, e linda, ou então é o café que está frio, e alguém chama, ou alguém não chama nunca.
E o silêncio comove, e ouvimos o coração bater.
Além do silêncio, solidão.
E a chuva, claro, e o fato de ser três da manhã.

Dizem por aí, ali e em qualquer lugar, que temos de superar nossos medos para então conseguirmos realmente dançar conforme a música de nossa existência. Música para nossa existência, suave e com ritmo marcado, como um coração em pulso definido.
Apertado.
Os medos são criados nas situações mais óbvias, e as músicas ouvidas nos mais apropriados instantes.

Mas para ouvir, de fato, a música tão sonhada (para um estudante, o diploma merecido; para um amante, um sim depois de um pedido; para um cozinheiro, um elogio pela doce sobremesa - comoções estão a cada dia redefinidas), é preciso preparar-se.

Um preparo, como uma guerra.
Você investe tempo. Dinheiro. Lágrimas. Lágrimas. Pensamentos. Idas, vindas, trocas de ideias, silêncio, companhia, solitude. Lágrimas. Oscilações. Tempo. Teorias, dúvidas, certezas. Reflexões, conclusões.
Torna-se um chato. Ou evidencia o quão chato sempre foi, e sempre vai ser.

Então, em pormenores, o inimaginável surpreende. Cada coisinha miudinha, torna-se imensa.
Como olhar-se no espelho e reconhecer-se em uma versão melhorada, absolutamente, inclusive ser capaz de enxergar quem você realmente é, e orgulhar-se de quem se tornou, nutrir-se de uma coragem que aquece o espírito. Como reparar em uma frase do livro que nem o escritor pode ter ideia de que aquilo ali dito foi fundamental para alguém. Como ver uma cena de um filme e, ... e não saber o motivo exato de estar abalado, e esquecer-se do filme para partir em busca de alguém que ficou confuso lá no aperto que se formou no coração, mas ter as frases todas preparadas para resolver o problema, como sempre acontece. Resolver o problema.

Ainda o preparo para a guerra. Cotidiana.
Mas a mais, as munições são carregadas com uma força que, de estalo, talvez, foram postas ali no devido momento, mas uma força que podia ser diferente. Podia ser natural, podia conter sorrisos - mas foi o inverso.
E se parar um instante, fechar os olhos, uma melodia adequada canta em seus ouvidos, provoca um arrepio, nos pega pelas mãos e quando sentimos que os pés não tocam o chão, lembramo-nos da realidade que vivemos.

A guerra de superação. Quando realmente faz questão daquilo.
Será? Será que realmente faz questão? E por que isso sempre nos faz temer?
A guerra não termina enquanto ainda restarem dúvidas, e medo.
O nosso mundo individual precisou e vivencia conflitos sempre, é curioso. E sempre em alerta.


"Então, minha querida Amélie, não tem ossos de vidro. Pode suportar os baques da vida. Se deixar passar essa chance, com o tempo seu coração ficará tão seco e quebradiço quanto meu esqueleto. Então, vá em frente, pelo amor de Deus" (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"Muitezas"

"Delicadeza não denota "pouqueza" ou "devagareza", denota "zeleza", "cuidadeza" para fazer as "muitezas" e também as "pequenezas"... delicadeza, pra mim, só cabe em gente forte. Gente fraca não suporta e corre logo pra grosseiria..." (Sage Poesie)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Já disse que te amo, hoje?

"Maybe truth, maybe lies
Made me want you
Maybe dumb, maybe wise
I don't know"
... Letting your love show
(As palavras ficaram em silêncio.)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sobre qualquer coisa, ou sobre nada, ou tanto faz...

De repente os fatos mudam de lugar.
As formas declaram-se mudas.
Nulas.
A significância torna o insignificante valioso.
E das certezas, um grande espaço em branco.
E o que antes era esperado, ficamos a mercê da indiferença.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Sobre o tolhimento

As frases sumiram.
Em algum momento passado, as frases ficaram.
Não é belo, tampouco digno. Nada quero que seja dito, tampouco que a rima soe em algum parágrafo confuso.
Mas tudo somente consegue a confusão. O vago e o confuso tomam espaço, enquanto todas as outras coisas importantes da vida ganham um rumo e definem as tarefas pontuadas da agenda.

Se fosse interesse escrever as verdades inteiras, dissertaria aqui tais claras e concisas verdades (como se isso fosse possível, mas a mais não importa).
E seguem as linhas confusas.

O que existe agora não é mais o que cabe em mim. Não existe mais nada para ser dito.
Em algum instante ficou perdido aquele encanto que... digamos que.... hum... que... aquele encanto que ganhava um adjetivo de pronto, sem maiores raciocínios. Era puro e consistente. Tangível.
A meu respeito, ficou um espaço de não-dizeres – serenamente afastado de tudo o que parecia dizer. Um mar destes não dizeres tomou o lugar que antes era habitado por palavras quentinhas e honestas, talvez confissões, e um silêncio severo ficou no lugar – um silêncio necessário, ora punitivo, ora amargo, ora cansado, ora atrasado, ora dormindo...
Talvez o que vivemos – se tomamos uma estabilidade nos ânimos, passamos a dizer o essencial, para os essenciais? Talvez. Quem somos? Quem é você? Onde foram parar nossas importâncias?
Vamos dormir com muitos sonhos e acordamos aptos a um café amargo? (Posso tirar conclusões interessantes a partir desse apontamento, porém não é caráter de texto confuso ser claro).

Mas se fazia bem dizer, dizer tudo com poesia e flores, mesmo que piegas ou abstrato... mas fazia bem escrever sobre qualquer aflição do espírito, e agora segue valendo-se do silêncio (e nem as confissões cabem, com o risco de magoarem alguém, ou torná-los preocupados ou irritados com as mesmas queixas) (quantas queixas)... então, não é sincero? Quantas coisas (além da sandice) temos de considerar para depois pronunciar pequenos detalhes. Como o cotidiano tolhe nossa liberdade! Tolhe nosso coração!

Meu intento escritivo, meu intento abstrato de dizer palavras soltas ou palavras com significado (ao menos meu significado), fcou perdido em alguma parte... parte das frases feitas, parte das ilusões sorridentes, parte dos sonhos sem cabimento.

E os textos não parecem mais cobrir feridas. Não sara.
Não tem poesia morando aqui.
Não sara.

A triste ausência da saudade por não ter tempo de senti-la.

(Está normal. As vezes fica bom, depois volta ao normal)´.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sobre desassossegar







A dor inaudível, impetuosa, na impetulância do desabafo.
Todo perdão precisa do pecado, o indizível excesso que transborda.

(razões)...

domingo, 12 de setembro de 2010

Mensagem secreta


Tantas coisas importantes acontecendo, e tão pouco tempo para realmente observá-las.
A importância é estar em tantos lugares, com tantos afazeres, e os muitos acertos, enfileirados. E as ansiedades.
Mas a necessidade é ficar encolhida, em silêncio, refletindo. É mais vontade do intervalo, da pausa e do comedimento. Um pouco de equilíbrio.
Talvez o coração mais aquecido. Que prossigam as ansiedades, mas, por favor, quero a aplicabilidade do ‘talvez’. É minha mensagem secreta, que está escrita no olhar cansado e no sorriso confuso. E nem lembro se fico feliz ou triste, apenas estou ali. Apenas ali, totalmente, sangue e esperança.
As mensagens secretas ficam aqui, quietas, no perigo de serem lidas e incompreendidas.



Queria assim, mas queria mudar. Queria tantas coisas... entre elas, onde será o meu lugar?

sábado, 4 de setembro de 2010

Um desconexo


Sou mesmo um desconexo.
Nao tenho versões para um suicídio, porque os dias morrem sem ao menos eu deixar opiniões.
Não tenho tampouco opiniões - elas requereriam minutos de silêncio para reflexão concisa.
Preciso da indiferença, do desapego - assim, sucessivamente, e lentamente, a respiração retoma o rítmo absoluto da normalidade, que assume caráter submisso... mais uma vez então temos esperanças.

E o que será que nos espera?

domingo, 29 de agosto de 2010

Sobre considerações

Seriam muitas considerações para um texto tão pequeno.

Mas o texto nem começou?
É, mas será pequeno, sei disso porque não tenho tempo.

Oras, mas se está escrevendo é porque tem um tempo! Não é?
Não... foi pura evasão, ligeira e inconstante que pairou por este céu de agosto, tornou tudo nebuloso, e a mais, eu não sei onde foi parar a poesia.

Mas se não existe nenhuma poesia direta no blog, por que precisa tanto dela?
Ela escreve, interlocutor atrevido, ela escreve!

Ah, então não precisamos de você!
Talvez...

domingo, 15 de agosto de 2010

Sobre as limitações


Era uma vez um pote de açúcar.
Nosso pote de açúcar era muito querido, mas sustentava apenas aquela quantia de açúcar. Nada além. Era o limite da doçura que podia armazenar, e o limite que podia oferecer.
Um dia, o pote ganhou um saco de açúcar bem gigante, e pensou que, talvez, se apertasse um pouco, conseguiria guardar todo aquele açúcar em seu pequeno espaço.
Como podemos supor, o potinho não conseguiu tal feito, e todo açúcar em excesso fora perdido.
O potinho de açúcar ficou triste, e zangado - se tal doçura representa algo tão bom, por que não conseguimos guardá-la conosco, em sua totalidade? Por que somos limitados nos aspéctos de nossas atitudes? Seria tão imenso ainda o que é preciso compreender, até realmente nos encontrarmos de fato?

Moral da história?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Das teorias em fragmentos


Existem muitos pensamentos que brotam na criatividade enquanto esperamos Aquela Ideia digna do espaço em linhas de informação e pontuação.


Podia falar sobre a temporária falta de criatividade:
Parecia que ia chover...

Podia falar sobre o carinho:
Sem olhar, diz que meu cabelo esta bonito...

Podia falar sobre um lugar:
Vamos?...

Podia falar sobre uma discussão desconfortável:
Eu tinha razão!...

Podia falar sobre companhias:
Me acostumei com a caminhada quando andamos de mãos dadas...

Podia falar sobre o trabalho:
Se não ocupados, atrasados...

Podia falar sobre o riso:
Não lembro mais qual era a piada! Ahahaha...

Podia falar sobre o silêncio dos outros:
...

Podia falar sobre nosso silêncio:
(um abraço)

Podia falar sobre os livros:
Alguns pela metade...

Podia falar sobre a distância:
Viu como é pertinho?...

Podia falar sobre a fúria absoluta:
Suspira fundo e estala todos os dedos... Só...

Podia falar sobre a cumplicidade:
_Pensa?
_É...


Podia falar sobre a ansiedade:
O telefone não toca, a mensagem não chega, os dias passam confusos, os resultados demoram surgir...

Podia falar sobre o amor:
_Não queria limpar os pratos hoje!
_Tudo bem, meu amor, eu limpo...


Podia falar sobre a felicidade:
Quem encontrar a fonte, me avise...

Podia falar sobre a tristeza:
Não divulgo a fonte...

Dentro de tamanhas especulações acerca do que seria saudável pensar agora, fica um silêncio tão quentinho, tão amigo. Fragmentos.
Talvez o pensamento inteiro fique unido, e, em sua fragilidade seja forte e sólido.


“Bão balalão, senhor capitão. Tirai este peso do meu coração. Não é de tristeza, não é de aflição: é só esperança, senhor capitão!” (M. B.)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Das esperas


A felicidade, grande, recheada, aquela que esperamos e esperamos – essa felicidade enfeitada, não encontro em nenhum canto. A espera, desencanto, come as forças do acalanto, e assombra, estendendo demoradamente os braços e tapando, delicadamente, os olhos.

A felicidade, na verdade, é pequenina, fragmentada, consumimos em doses miúdas, e são as que tornam nossas queixas suportáveis.

Cada propósito a conquistar, um novo código para desvendarmos – mistérios simples, se não fossem as pessoas tão complexas.
Frases feitas e elaboradas com o primor da sabedoria dos anos. E os alertas. Placas e anúncios que não se calam, e nosso repertório não muda. Queixas constantes.
Eu aqui, com as facilidades das felicidades fragmentadas, querendo um bloco único, suficientemente sólido, que me faça rir uma tarde inteira, sem nada, nenhum fiozinho de tristeza da lembrança que o passado evoca e que o presente provoca. E o futuro é grande, recheado e esperamos e esperamos.

No meu coração.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Silencia...





Silêncio de pensamento na cabeça.







Na minha bolha da ilusão, era apenas eu... (agora, fora da minha bolha da ilusão, continuo mais apenas eu - solitariamente diferente, como qualquer um...).
Em silêncio.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Morrer de pensamento


Pensava um dia, e o artefato mistificado, intangível, permeava esse dia, e outro, e mais outro.
E pensamentos aparecem em todo instante, excessivamente violentos - e pensava que os tinha esquecido. Apenas pensava!
Acabamos por ficar jogando a vida, como se tivéssemos a sorte escondida em algum bolso...

Um fato, pensamento estável.

Estável. Estar um pouco feliz, e ter a audácia de pensar ser a maior felicidade do mundo, e ser valiosa por ser rara, e especial por ser daquele momento e nada mais. E ninguém mais, ou talvez sim. A esperança ganha um abraço do pensamento, prepotente e metidamente vaidoso.

Estável. Estar um pouco triste, mas não querer compartilhar o sentimento, tampouco partilhar ou falar acerca disso ou daquilo, pois são detalhes que estão sempre interligados a outras histórias e teorias e questionamentos. Pensamentos, sempre, claro. E interligados, principalmente quanto ao famigerado pensamento da espera. Espera. Esperança, que nasce, cresce, se reproduz e morre. Estar um pouco triste é estado, temporário, e mesmo quando se reproduz, sempre morre.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Esquemas e mais esquemas e outros mais


Nenhum texto cabe nas linhas simples do quão confuso um indivíduo pode se tornar.
A única temática do incômodo presente preenche as linhas e cada espaço de entrelinhas que existem pela frente. Preenche em estoque completo para a fome de milhares.
Milhares de neurônios.

Existe uma história, escrita ou não, história de indivíduos e problemas, e indivíduos com problemas, e o contato de um problema e outro, e então 'era uma vez' um dia.
Um dia, surge outro problema tão imenso que faz todos os ânimos se atrapalharem.
Eram outras vezes, em outros dias e mais dias, e o problema não sumiu... apenas pareceu que mudou porque talvez seja interessante assim, cobrir feridas sem remédios, receitar esquemas utópicos e diagnosticar prematuramente.

Quando as pessoas se atrapalham podem acontecer coisas engraçadas. Elas podem rir, claro, podem chorar, podem desistir ou desafiar, podem mentir ou confessar. A maioria ri, mente e desafia.
O quão confuso um indivíduo pode se tornar aparece em todo instante, certo, e toda hipótese condena.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Confiança

s. f.
1. Coragem proveniente da convicção no próprio valor.
2. Fé que se deposita em alguém.
3. Esperança firme.
4. Atrevimento.
5. Insolência.
6. Familiaridade


E encerramos o assunto.
Não é que não queira dar margem para alguma exposição de idéias, mas simplesmente não existe o quê expor.
A palavra é simples. A ação é simples. O que se pode oferecer e o que nos sentimos privilegiados por receber.

É um sentimento legítimo, como ter fome – ou você está com fome, ou não está.
As vezes estamos com fomes específicas, não diretamente necessidade de comer, mas apenas vontade de algo que não se pode explicar com a lógica – pode ser um sorvete ou um cozido de legume. Por este lado pensamos então que não é tão legítimo assim, mas, no entanto, continua valendo a comparação com a confiança.

Por vezes estamos confiantes, plenamente confiantes, e isso é muito gostoso de sentir, a confiança verdadeira sem decepções... mas é raro. Em outros momentos, temos uma confiança específica, e é preciso ser aquela determinada confiança ativa e concreta para que façamos valer nossa norma.
Olhar para o próximo com carinho, e manter dentro de si aquela certa fome específica da esperança, de que não estamos errados. Dar as mãos e fechar os olhos, certos de que estaremos bem aparados.
Olhar para o próximo com carinho, e quando a fome não parece ser saciada, manter dentro de si um dos olhos abertos.
Desde um humor equilibrado a um estado de espírito, nossa essência, de certo, tomam por alicerce a confiança disposta em algum determinado pormenor que a cerca.

Confiar não é esperar na fila do restaurante por quilo, e adicionar a sua bandeja aqueles elementos que gostaria de fazer presente em sua vida.
A confiança é algo mais refinado, para onde vestimos nosso mais singelo sorriso e nos sentamos em uma pequena mesa... e então somos servidos.

Quando acompanhados, esperamos que as escolhas do que nos serão servidas estejam de acordo com a significância da companhia, e toda verdade que a cerca. Ter consciência de que a refeição realmente será partilhada.

Aquele que somos nunca é enganado quando não existe por objetivo ludibriar ou falsificar gestos tidos por verdadeiros. Por vezes esperamos receber as mesmas verdades que demonstramos, mas nunca podemos contar com isso, e infeliz o que não foi autêntico, pois perde a segurança dos jantares tranquilos.

Podemos fazer de uma pequena mesa, ornada com a simplicidade de sorrisos, a mesa mais bem posta que se imagina, apenas quando a confiança é plena.

(Se vamos nos servir em algum fast food, as opções não são lá essas coisas...)

domingo, 18 de abril de 2010

Não ser e não ser.


Muitas pessoas crescem construindo sonhos que foram plantados em suas cabecinhas desde as influências na primeira infância.
Algumas são desejosas por uma determinada carreira, outras querem uma viagem espetacular, outras listam os bens materiais que irão possuir, outras anseiam por casar, outras querem se tornar mamães e papais.

Ser mamãe e ser papai é um sonho bonito, para muitos. Compreendemos que, em sequência correta, para tanto, precisou-se de uma boa carreira com estabilidade imensa, poder ter usufruído de viagens, construiu segurança e tranquilidade social, tornou-se uma pessoa casada com alguém que realmente compensa estar por toda vida, e em algum momento surge, curiosa, a necessidade de colocar em jogo os vossos rebentos.
Nossa compreensão é adequada, só que nem sempre acontece assim.

Milhares de pessoas, antes de pensar ‘o que querem ser quando ficarem crescidas’ já andam compulsoriamente aprendendo como trocar fraldas...
Outras pessoas trocam a sequência correta das coisas.
Outras pessoas (muitas pessoas) decidem que preferem parar ali nas viagens e na tranquilidade social, visto que maridos e filhos não são mais artigos coerentes com as crises econômicas, e principalmente acerca do humor feminino, cansadas de explicar que dias ruins vão e outros melhores aparecem logo depois, como uma bipolaridade mensal.
Outras então preferem apenas retirar da sequência a possibilidade do filho, e em troca colocamos um cachorro, um gato, um livro...

Entrei com minha mãe em uma loja de artigos para bebês e crianças, esses dias... precisávamos de um artigo específico para presentear uma nova criaturinha que tinha chegado, e que fazia babar os avós e padrinhos e tios corujas, e colocava loucos os pais que não dormiam há dias.

Os corredores eram coloridos, fofinhos, tinha a parte azul, e parte rosa... e as moças em estado interessante estavam malucas entretidas nas cores correspondentes ao sexo da criança (que acabaram de descobrir), e todas muito felizes soltavam gritinhos e exclamações que demonstravam um entusiasmo verdadeiro.
Algumas crianças corriam de um lado para o outro, ou fugindo do vestido que a mãe queria obrigá-las usar no casamento de uma vizinha chata, ou reclamando que não queriam aquele tênis feio, e sim o tênis do ‘Ben 10’ (também tive de pesquisar para descobrir).
As outras cores apareciam todas intercaladas, entre mamadeirinhas, chupetinhas, chocalhozinhos, fivelinhas, sapatinhos, ursinhos, meiazinhas miudinhas e -inhas -inhas -inhas de arrepiar quem está longe de querer ser mãe!

E foi justamente sentir-se mergulhada em um universo surreal de choros e manhas infantis que me senti estática e inerte frente a algo de absoluto impacto.
E o impacto, uma tabela imensa, sobre a posição do bebê no ventre materno, e que me fez, feito criança discreta que levou bronca, sentir um frio imenso e eliminar um fio de lágrima.

Um sonho tão comum para todos, misturado com outros sonhos de uma vida familiar feliz - aquela imagem mental que fazemos sobre o que seria nascer, crescer e morrer feliz.
Nada agradável cogitar a possibilidade, e posso tecer imensas teorias... Penso que para esta que vos escreve, bem como para tantas outras, ou pode ter ficado internalizada a hipótese de seguir a risca aquela sequência correta descrita ali acima, ou então a hipótese internalizada simplesmente não existe, ficando mesmo a aversão, e essa possibilidade tem demonstrado êxito e proporcionado paz de espírito.

Sem me comover com o encantador universo infantil, obviamente, para não dar margem a nenhum pensamento sobre o assunto, retirei-me discretamente daquele ambiente peculiar e particularmente violento, hostil e pesado.

"Coisa de louco"

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Significância


E não surgiu nenhuma palavra.
Nada. Todas se esconderam, todas se foram, independentes, empenharam-se em tarefas cotidianas desapegadas de nós.

Uma dedicação imensa para um discurso sem platéia.
Palavras escritas, carregadas de sentidos ausentes, onde a tentativa de buscar alguma razão pouco deixa algum espaço, algum laço, significado.
Nos agastamos.
Estamos voltando para o caminho das tarefas mudas, singelas, e mais nada.



Paciência

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Um texto confuso, fragmentado e embaralhado


Onde a mentira mora? Mora no silêncio enquanto a resposta não vem? Mora nas perguntas evasivas?
Onde a necessidade da mentira dorme? Onde a omissão é bem vinda? E quando a mentira é pequena? E quando é absolutamente agressiva? E quando vai contra princípios? E quando prejudica quem amamos? Quando se torna traição, ou extrema precisão de um universo paralelo? Quando é em favor de uma aprovação pessoal?

Dificilmente a pessoa fica tranquila quando é acusada de mentir.
O autor da mentira (-inha ou -ona) vai se fazer de desentendido. Vai sustentar a mentira mesmo que a verdade já esteja clara. Ele sabe previamente o teor da sua pergunta sobre a mentira dele.
Inventar coisas e fatos e personalidades? O que é enganar, para você? E a culpa?

http://www.acidezmental.xpg.com.br/comodesmascararmentirosos.html

E o que mais podemos fazer?
Dizer a verdade.
Dizer a verdade.

Desconfiar é um combustível para a atenção e percepção. Uma espécie de treinamento mental.
Se a desconfiança é sem fundamentos, você procura, e não encontra... mas se continua procurando, em algum momento vai achar qualquer coisa parecida, e dará por satisfeita a procura. Mas procurou o quê, afinal?
A pergunta: "onde você quer chegar com isso?" torna-se compreensível.
Mas, se a desconfiança é um fato, ela precisa de um motivo (passado, presente ou futuro)... esse motivo nem sempre é tangível e objetivo, e se procurou e encontrou, atinge o objetivo, torna-se mais esclarecido e satisfaz a desconfiança, mas em troca, pode ganhar uma tristeza aguda e insustentável. A desconfiança representava o quê, então? Um sentimento abstrato? Uma percepção confusa? Ou mesmo um grande quebra-cabeças começa a tomar forma? Ou uma construção equivocada com respectivas coincidências?
Estabelecemos que o intuito é encontrar a verdade. Tê-la a tiracolo. Tê-la internalizada, firme, intransponível, genuinamente verdade.

E quando a mentira é esclarecida? Como acreditar? É tão simples se deparar com outra mentira.
Uma mentira esclarecida, mas que amargura apenas pelo fato de ter sido mentira.

.um grilo.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Sobre esperar...


Se não esperássemos nada, nunca, o que aconteceria?
Os dias passariam percebidos, com a ênfase do tédio, e, enfadados, sucumbiríamos?
Ou, por ser natural essa não-espera, os dias correriam despercebidos, como quem existe e nem se dá conta? Seriam dias bons e tranquilos? Existiria a saudável ambição e o desejo por prosperidade? Será que a felicidade seria um artigo mais acessível?


sexta-feira, 26 de março de 2010

Falando e calando.


Tira da gaveta. Olha e-mail velho. Procura em algum livro. Assiste o telejornal. Analisa o cardápio do restaurante. Folheie revista no consultório. Lembra da piada. Mente uma vez só. Conta o que contaram que contaram. Faz discurso. Dá lição de moral e bons costumes. Finge que é uma paquera. Finge que é primeiro encontro. Finge que é uma entrevista. Finge que estão gravando. Finge que bebeu demais. Finge que está sóbrio. Calcule o quanto ama, mas conclua que ama além da conta. Diz que está triste. Diz que está feliz. Finge que não é você. Dá de desentendido. Ou entendido. Pede explicação. Pede exemplo. Pede para que contem algo. Argumente. Contra-argumente. Fale a verdade. Olhe nos olhos, com sinceridade. Dê uma risada digna de um comentário. Alimente as esperanças. Faça greve de fome - inclua a esperança. Reclame do tempo. Reclame da cor da roupa. Derrame sorrisos de graça. Feche a cara. Imite alguém. Imite você, de vez em quando. De vez em quando... Fale muito. Fale pouco. Não fale.
Fingindo jogadas grandiosas...

Em algum momento acertamos.

http://www.youtube.com/watch?v=em_BcEU3inU

quinta-feira, 11 de março de 2010

A Educação e a Ação



"As lutas solitárias que travamos todos os dias desgastam nossa força, são verdadeiros duelos intelectuais, financeiros, emotivos, financeiros, orgânicos, financeiros e financeiros... Todos temos estes duelos e, são diversificados e de infinitos tamanhos.

Na nossa solidão, independente de nossa carreira, enfrentamos as nossas pragas e cóleras! Por vezes a praga é tão grande, a cólera tão cruel e cheia de poder, que faz propaganda enganosa para ludibriar os eleitores, para benefício próprio coloca em risco o futuro da própria educação do país, tratando os educadores como rivais... E quando nos assombram de forma arrasadora, torna-se impossível prosseguir com as lutas solitárias, e estas se encontram em uma única força - então são formadas as greves, leitores... Um direito constitucional, e que apenas é levantado quando a causa é justa.

Se a problemática já vem de tempos, quantas outras gerações vão ter de pagar por falhas antigas?

2010 iniciou o ano letivo com (muitos) profissionais da educação mobilizados em favor de melhorias na qualidade do ensino público e na melhoria da condição do educador em nosso país hoje. E, envoltos de reivindicações de absoluta coerência, os professores e seus devidos sindicatos dão as mãos e exigem respeito, por eles e pelos que usufruem do sistema de ensino deste país. "
(Marluci Longarez - 10.03.2010)

Leia mais AQUI, no site Itu.com

http://www.youtube.com/watch?v=mNlgV5i7um4

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sozinhos.


Quanto mais nos envolvemos na tarefa de compreender os indivíduos, mais corredores sem saída aparecem neste grande labirinto de idéias.
Quanto maiores as provas, mais treinada a percepção, e mais duro fica o coração – isso não parece afetar diretamente a questão do carinho e da atenção que temos por alguém (ou algo, se for fruto de nossas mãos ou anseios), mas a essência pura do nosso entusiasmo desmedido por este alguém/algo é derramada... cada gota precisa, na ausência, parece nos colocar mais firmes e fixos nos ditames da realidade (de onde não devíamos ter saído).

É fato que sentir-se sozinho, acompanhado, é um delírio, e cada lágrima de motivo deveria virar perfume de verdades necessárias. O aroma que nos acompanha.
E aquele que ditou que a nossa jornada é solitária - e assim devemos nos estabilizar e buscar a felicidade sem dependências afetivas maiores - era o mais perfumado de todos.
As sensações são diversas.
É sabido que a realidade crônica aplicada proporciona uma certa indiferença frente aquilo que antes era visto com a superficial crença da perfeição, que nos cega e faz pensar que existe profundidade - causas da ilusão.
Não confiar, não acreditar, não ter esperanças torna o cérebro comedido, o coração na frequência normal e o cotidiano suportável – e ao mesmo tempo, confiar, acreditar e esperar, como a fé, resistindo à tarefa estimulante do acordar e levantar com os dias que escrevemos para nós - conosco, e com alguém/algo que queremos conosco, porque nos edifica, e porque podemos ser agentes de edificações.

Cada um carrega sua importância, mesmo que o valor esteja alto somente para o idealizador. E todo resto é descabido.

A importância existe ao enxergar aquilo realmente possui raízes, e não usar-se de superlativos, estando satisfeito com a única, natural e legítima sinceridade adquirida.

http://www.youtube.com/watch?v=CHsFK9ux820

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sem título

(Por que é frágil, e pode ir de um extremo a outro em questão de segundos, dentro do coração
da gente.)


"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do
"momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa -
nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão. "
Fernando Pessoa

(depois de um parágrafo medíocre também vem um ponto final.)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Aceitar e Recusar


É não saber.
Tudo é um grande não saber infinito de nível intermediário - antes fosse avançado, assim não perceberíamos como é estar tão perto do básico e satisfatório.

http://letras.terra.com.br/oswaldo-montenegro/47887/

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Isso isso e aquilo

Talvez nunca estejamos preparados.

Em diversos momentos de nossa curta existência, evitamos falar de certos assuntos. Obviamente, algumas feridas levemente cicatrizadas não precisam ser abertas, no entanto, entendemos que se os males reais não foram sanados, é preciso intervenção.

- Posso dizer que não gosto de falar sobre ‘isso isso e aquilo’ com você, porque lembro quando aconteceu ‘isso isso e aquilo’, e senti ‘isso isso e aquilo’, e meu amado encéfalo resolveu então associar uma coisa a outra.
- Posso dizer que não gosto de frequentar determinado ambiente porque ‘isso isso e aquilo’ acontecia, e por razões equivalentes a ‘isso isso e aquilo’, eu não podia intervir em nada, e ‘isso isso e aquilo’ era o que eu sentia, e estou passível de sentir ‘isso isso e aquilo’ em situações semelhantes.
- Posso dizer que quando imagino coisas, imagino ‘isso isso e aquilo’, e sempre uso o ‘isso isso e aquilo’ real, e o transformo neste ‘isso isso e aquilo’ puramente ficcional, mas possível de ter acontecido, o que é suficiente para por o bom humor a prova.
- Posso sentir ‘isso isso e aquilo’, e por este motivo me visto de ironia, sarcasmo e imaturidade, e o que tenho em troca é o mesmo ‘isso isso e aquilo’ que eu sei que também existe na outra pessoa, que gosto, mas que para se conter, aperta minha mão com força, porque ‘isso isso e aquilo’ incomoda, e nunca se sabe se pode voltar - talvez.

Parece que foi escrito baseado em relatos alucinógenos, ou banhados em alguma solução etílica, ou somente doentes, mas não... Acontecem sempre, com todos, e são situações chave como estas que podem nos desestruturar em um pensamento não orientado, ou uma forte emoção - por maior controle que exerçamos.

O que nos difere é a maneira como conseguimos contornar ‘isso isso e aquilo’.

Nos deparamos, a cada instante, com questões que exigem resgate de algo que foi memorizado, e é lá debaixo da cama, onde guardamos nossa caixa das memórias é que se instalam muitas impressões que não foram devidamente resolvidas, e em nossa rotina tumultuada, por vezes estável, não nos damos conta de que também o famigerado bicho papão ainda mora debaixo dessa nossa cama, e está bem aquecido lá, aguardando o próximo momento para assombrar.

Não é se irritando ou se trancando em calabouços sombrios (aquela ala de nosso coração, que abriga nossos ódios, mágoas, medos, inseguranças, incertezas) que resolvemos algum impasse. Respeitamos quem somos quando conhecemos nossos limites, bem como respeitamos nosso próximo quando entendemos vossos limites – mas respeitamos também quando entendemos os limites reais e entendemos que podemos fazer algo para realmente perdoar, perdoar-se, e mandar os pensamentos ruins para o devido lugar – o esquecimento.
Talvez nunca estejamos preparados?

‘Isso isso e aquilo’ são fundamentos para estruturar nosso crescimento, e não nossa ruína. Nos preparamos também com os erros, e o que importará sempre é o presente que construímos – por isso, olhar para o passado exclui nossas atuais conquistas, o que não é interessante.
Se queremos que nossas atitudes sejam coerentes e nossos princípios não sejam alterados, vamos abrir as cortinas do quarto, deixar a luz matar o bicho papão, assim protegemos quem somos, e aqueles todos que estão conosco, e dos quais não vamos abrir mão!

http://www.youtube.com/watch?v=IyCRJmerW1Q&feature=related

domingo, 17 de janeiro de 2010

Pensamento


Curioso pensar o pensamento.
Pensar bastante acontece, mas pensar bastante no que convém ser pensado nem sempre acontece quando você pensa estar pensando a beça.
Pensar o pensamento adequado exige destreza.

É preciso pensar o que vai ser pensado, porque se o pensamento não é previamente estipulado, acontece como quando sabemos que “algo” precisa ser levantado em uma reunião importante, mas não é feito nenhum esquema prévio: trata-se de tudo, mas sobre nada.

Pensa-se sobre tudo, mas sobre nada.
Pensando um pensamento direito, a probabilidade de encontrar coerência naquilo que buscamos é maior.

Nossa empresa cerebral precisa de rédeas. Precisa de reuniões coerentes.
Então, se pensa o pensamento que deve ser pensado, logo quando chega a hora de pensar para valer, o pensamento pensa direitinho.


http://letras.terra.com.br/ira/103739/

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Prática do Desapego


As vezes uma inocência qualquer faz nossa satisfação nos ajustar em algum poço escuro, e ali alimentamos e mantemos aquecida nossa inocente visão de mundo (uma não-visão das coisas).
De fato, nos tranquiliza quando estamos convictos e realmente certos de que não somos detentores de um problema de ordem conjugal – é o estado natural das coisas: aquilo que devia ser, e que para muitos, não é.
A sociedade que você enxerga pela janela da sua casa te impõe uma pressão feito panela borbulhante onde o refogado é o seu cérebro: cuidado com o que ele/ela está tramando.
Alguma teoria e alguma conspiração a mais, para tornar empolgante nossa viagem pelo mundo.

“Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo por sê-lo, porque temo que meu ciúme fira o outro, porque me deixo sujeitar por uma banalidade: sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco E POR SER COMUM” (*)

No mais, precisamos mesmo cuidar de quem somos, e estou certa de que quem estará conosco fará parte deste cuidado, e não precisaremos de grandes esforços para confiar.
Existem tantos exemplos tristes, por que vamos construir mais um? E outra... basta ser seletivo na hora da escolha – desespero atrai desespero.
E sobre confiança, sobre se envolver cegamente em um apego aparentemente tão real... entre tantas maneiras de aproveitar a polemica, aproveito o assunto:

“Não é que todos os homens irão trair, mas estão mais propensos a isso.”

Oh! Que coisa bonita de se dizer! Que coisa mais confortável de se ouvir!
E então agora nós cruzamos os dedos e rezamos para que os Nossos não estejam nessa listinha dos que são propensos e traem.
Preferimos então os que são simplesmente propensos, né? Que vão imaginar as possibilidades do mundo, quiçá visualizem pensamentos e coisa e tal, e continuem aumentando o número de visitas dos sites de arquivos XXX - mas não é nada não, eles precisam disso porque são humanos, é parte da essência deles, coitadinhos (infelizmente). E nada de contestar!

E um pensamento dá a mão para outro pensamento, e lá se vai, correndo, uma sequência de sinapses super violentas acerca dessa temática...

Se somos inseguras?
Nem por isso!
Pode ser que ele traia, pode ser que esteja te traindo agora (não necessariamente da maneira que a novela das oito mostra), enquanto você lê este blog esclarecedor, afinal, as possibilidades são imensas, mas também pode ser que não... e por existir esse ínfimo número nas porcentagens malucas das cabeças deles, então, não parece valer muito se preocupar! As pessoas se enganam e se acomodam, mas você (vocês) sabe o caminho que está seguindo...

Se a namorada trai o namorado com o melhor amigo dele, então, ela é a malandra e o amigo é o amigão por ter aberto os olhos do namorado corno, mostrando que a namorada era traidora e não prestava (afinal, se traiu com o amigo, pode vir a trair com qualquer um, em qualquer circunstância o fato do amigo do namorado estar perto apenas facilitou as ações)? E continuarão amigos a beça – nem cogitando o fato do amigo também ser traidor?
Ahá! É! Ai ai...

Se o namorado trai a namorada com a melhor amiga dela, então, essa amiga é mesmo uma vigarista, não sendo digna da confiança do namorado traidor porque, se traiu a amiga, pode trair qualquer um, né?
Provavelmente os homens dirão isso.
Mas, eu disse confiança?
Não, claro que não. Impressão nossa...

“Odeio quem me rouba a solidão sem em troca oferecer verdadeiramente companhia.”
(Nietzsche)

(Então, por sabermos que os homens são mais propensos a trair, então eles tem pontos a mais que as mulheres, sendo uma ação natural e digna de nenhum espanto, ganhando uma espécie de 'carta branca'?... E quando elas, criaturas que estão mais propensas a não trair, resolvem imbecilmente trair, são condenadas, e a sociedade apedreja com comentários de senso comum e ignorância? Sempre aparecem juizos e alguem ostentando alguma moral ou frase feita).

E daí saem várias histórias que ‘Deusolivre’ pensar agora... E nem precisamos disso.

O ser humano me envergonha.
Tem um livro muito bom... chama-se “Amor Líquido” - Zygmunt Bauman.
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=758638
Leiam, e leiam tudo, e os outros.

Eu gostava quando não pensava nisso, e gosto de pensar que posso continuar não me preocupando com isso (por isso amo meu amor, muito gigante). E não se fala mais nisso!!!!!!

“Algumas vezes acontece-me suportar bem a ausência. Sou então “normal”: alinho-me ao modo como “todo mundo” suporta a partida de uma “pessoa cara”; obedeço com competência ao adestramento através do qual muito cedo acostumaram-me a ficar separado da minha mãe – o que não deixou, contudo, na origem, de ser doloroso (para não dizer: desesperador). Ajo como sujeito perfeitamente desmamado; sei me alimentar, enquanto espero, de outras coisas além do seio materno.
Essa ausência bem suportada nada mais é do que o esquecimento. Sou, intermitentemente, infiel.
Esta é a condição de minha sobrevivência; pois, se não esquecesse, eu morreria. O amante que não esquece algumas vezes morre por excesso, cansaço e tensão de memória (como Werther).
(Menino, eu não esquecia: dias intermináveis, dias abandonados, em que a Mãe trabalhava longe; eu ia, á noite, espertar sua volta no ponto do ônibus Ubis, em Sèvres-Babylone; os ônibus passavam uns após os outros, e ela não estava em nenhum).” (*)

Vem a conclusão:
A prática do desapego consiste em pensar nos fatos que nos rodeiam, conscientemente, principalmente na questão de que o sujeito que está conosco em parceria afetiva, ou todo e qualquer outro sujeito do mundo, é humano e tem suas particularidades - sejam virtudes ou pormenores desagradáveis de imaginar - e então passamos a acreditar que estar acompanhado de quem somos é a melhor opção!


________________________
(* BARTHES, Roland. Fragmentos de um discurso amoroso. São Paulo: Martins Fontes, 2007. – Páginas 69 e 37, respectivamente)
.

(A base para estas divagações foram devidamente memorizadas e internalizadas a partir de conversas informais com meu amor, cuja opinião é bastante crítica, e seus argumentos bárbaros... e eu não sou absolutamente feminista, nem machista, nem fria, nem romantica... mas gosto de fazer piadas com/contra este propósito).

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Equilíbrio, do Latim, aequilibrium.


Algumas vezes, quase sempre, os acontecimentos aparecem e não entendemos, tampouco sabemos de onde arrancar explicações.
Diversos fatores desalinham nosso pensamento. Nestas circunstâncias não nos encontramos desestruturados, mas, de certo modo, desamparados de nós mesmos – um mecanismo de autodefesa, talvez... Como um pai, que sabe as duras provas que o filho enfrenta, mas apenas observa e analisa distante, pois sabe que é parte do processo de amadurecimento.
Nossos olhinhos consumistas ensaiam inúmeras coisas e fatos e tempos ao mesmo tempo, e somos desejosos de tanto em um único segundo, que acabamos por ficar entre um emaranhado confuso de pedidos que lançamos no ar, e o que temos de volta é, quase sempre, a informação truncada de nosso exagerado desejo imediatista.
Não temos consciência de todo processo da nossa falha – aquilo que temos dentro de nós, que colocamos contra nós – apenas nos damos conta no fim do ato: um pensamento sem controle, o deslize na ação e na palavra oblíqua.
Prejuízos para o equilíbrio emocional, não apenas do agente, mas de todos os envolvidos e ouvidos.



"Alice: Ah, então vou seguir por aqui e visitar a lebre.
Gato: Quase esqueci, a lebre também é louca como o chapeleiro.
Alice: Mas eu não quero ficar perto de gente louca.
Gato: Tem medo de não se conter?"

domingo, 13 de dezembro de 2009

"In the end you can only count with yourself"


Um pouco de atenção para o tempo.
Na simplicidade de uma viagem solitária pelo dia frio, em uma tarde qualquer.

Em algumas vezes nossos empenhos perdem a cor, ou seria perder a força para caminhar de mãos dadas com o sonho que pensávamos ser sonho?
Como quando adoecemos, sabe-se que o problema não começa ali no momento da dor, pois tem suas raízes em muitas outras situações de tombos e gritos e feridas tratadas com descaso, e nada é feito a respeito quando os primeiros sinais do abandono começam a surgir. Seguimos, olhando para o alto, segurando o choro porque é preciso trabalhar nossas ações singelas e impecáveis, e ninguém tem de parar para ouvir nossas pequenas lamúrias, nem mesmo aquele que somos - insensível, descuidado, precisa levar as situações da dor até o extremo para tomar alguma providência, e o mais frustrante e o que adoece mais ainda, é que ele realmente gostaria de fazer tudo diferente... talvez um dia o adjetivo para este vício surja em alguma verdade que precisamos aprender.

Um pouco de atenção para o que realmente precisa.
Na simplicidade de uma viagem solitária por um dia ensolarado, em uma manhã especial, pelo presente de estar estar presente nela.

Você acredita quando eu digo que a atenção nunca saiu do meu lado?
Não acredita porque sabe que não é verdade.
Saiu, foi dar longas voltas, e ficamos confortáveis, nós todos, porque o que precisamos mesmo mora dentro de nós - temos de nos bastar.
Mas ela sempre volta para seu devido lugar.
O dia mergulha na solitude que precisamos.

“Tudo é encontrar qualquer coisa. Mesmo perder é achar o estado de ter essa coisa perdida. Nada se perde; só se encontra qualquer coisa. Há no fundo deste poço, como na fábula, a Verdade. Sentir é buscar.” - Fernando Pessoa.

sábado, 14 de novembro de 2009

Lápis




Eu tinha um lápis, e funcionava de acordo.
Não existiam cobranças acerca de manter-se sempre apontado. Entendia que o tempo modificava sua grafite, e que em algum momento apontá-lo era necessário.
Em certa altura, pensamos que nossos lápis vão durar para sempre.
Em outra, temos a certeza de que não.

Ficamos com o que ficou escrito, mesmo que tudo o que a borracha apagou seja de uma quantidade infinitamente maior.